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Construções verdes – Por Engenheira Gisely de Sá Ribas

publicado: 13/10/2016

Começar uma obra do zero e adotar métodos sustentáveis é o mais comum, porem existem alternativas para “adequar” edifícios já antigos aos novos padrões.

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Como exemplo de técnica, oretrofit verde que consiste na adaptação de um edifício já existente, aplicando melhorias para atingir um “padrão sustentável”.

Retrofit verde

Já ouviu falar em retrofit verde? Este movimento, hoje tendência mundial, é uma técnica que consiste na adaptação e na melhoria de edificações já existentes, aproveitando sua parte estrutural para transformá-la por dentro. É um caminho mais rápido para que edifícios antigos e clássicos atinjam um padrão sustentável em comparação à construção de um novo projeto.

A tendência ganha mais espaço a cada dia. Nos Estados Unidos, o mercado da construção sustentável saiu dos míseros U$ 10 bilhões em 2005 para atingir U$ 236 bilhões atualmente. O exemplo de maior destaque é o Empire StateBuilding.

Publicidade: Os americanos não agiram apenas por preocupação ambiental: como resultado, houve uma redução de 38% com os gastos de energia de um dos prédios mais conhecidos de Nova York, com a expectativa de economia de US$ 4,4 milhões de dólares por ano.

No Brasil, o exemplo com maior repercussão é a reforma do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Visando a Copa do Mundo 2014, o local conta hoje com placas de energia solar que garantem uma redução de 25% da energia consumida. Melhor: o novo Maracanã reusou boa parte de sua estrutura antiga, um dos preceitos do retrofit.

Benefícios: Existe, primeiro, a questão ambiental. “No Brasil, os edifícios respondem por cerca de 45% do consumo anual de energia de todo o país, por 22% da emissão de CO2 e por 21% do consumo de água potável”, diz Manoel Gameiro, diretor comercial e de produtos aplicados da Trane para América Latina.

E há a economia direta no bolso: com a técnica, o uso de energia diminui cerca de 30% e o de água cai pela metade. É, ainda, uma boa solução comercial, já que pode aumentar em até 10% os valores para venda e locação de empreendimentos.

Acima de tudo, é preciso levar em conta que há uma demanda crescente por novas construções nas grandes cidades sem que haja espaço para tantos novos projetos.

O investimento, é verdade, não é dos mais baratos. “Mas, apesar disso, ele se paga em um curto espaço de tempo”, diz Walter Serer, diretor geral de Soluções Climáticas da Trane Brasil. Dados mostram que a redução dos custos operacionais durante um ano chega a 8%.

 

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O retrofit verde pressupõe que qualquer tipo de atualização em um edifício que já exista pode ajudar na melhora do seu desempenho energético e ambiental. Veja o que pode ser feito:

 

1) Iluminação: Aqui, as possibilidade são a substituição de lâmpadas antigas por equipamentos mais modernos, como lâmpadas de led, sensores de movimento, películas protetoras para diminuição da luz e temperatura do ambiente.

2) Conservação da água: Como este é um dos pontos que causa maior gasto desnecessário nas edificações, é importante haver investimento em equipamentos para redução do fluxo de água, reaproveitando a água da chuva, juntamente com o controle e medição do consumo através da aplicação de medidores. Outra solução é recolher a água das pias de banheiro e da cozinha também para reuso. Elas são levadas a uma pequena estação de tratamento e guardadas em um reservatório para posterior uso em uma tubulação exclusiva para os vasos sanitários.

3) Climatização: As estratégias típicas para melhorar a climatização do ambiente incluem um estudo térmico do edifício para determinar as cargas térmicas de aquecimento e arrefecimento ainda na fase de concepção do projeto. “Para ter êxito, é importante que haja a substituição de equipamentos primários por sistemas mais eficientes e bem dimensionados de acordo com as necessidades do espaço. Isso traz a otimização das unidades terminais, ajuda no balanceamento de aquecimento e na refrigeração dos espaços”, diz Gilbert Simionato, consultor de novos negócios da Empresa Verde Consultoria em Sustentabilidade.

4) Fachada: Aqui é recomendável o uso de vidros espelhados que mantêm a temperatura interna nos dias mais quentes. Para isso, no entanto, é preciso prever mecanismos que permitam a abertura das janelas em determinadas horas do dia, aproveitando, também, a ventilação natural. “Vigas refrigeradas e a aplicação de sistemas de sombreamento controlados por computador também são ótimas alternativas”, explica Simionato.

5) Eficiência energética: Esse é um dos principais focos do retrofit verde. Foi, inclusive, alvo de importantes discussões mundiais, tendo como resultado o pacote ambiental do governo de Barack Obama, que destinou US$ 20 bilhões para o assunto.

Algumas soluções bastante eficientes já tem surgido no mercado brasileiro. “Sabemos que um prédio, ao longo de 50 anos de existência, gasta 15% do orçamento no projeto e na construção e 85% com reformas e manutenção”, conta Gameiro.

Por isso, a preocupação em fazer com que os produtos tragam eficiência energética ao empreendimento sem dar dores de cabeça. Para tanto, as máquinas usadas pelas empresas da área contam com dispositivos eletrônicos que reúnem dados de como estão as variações de pressão, temperatura e quantidade de óleo usado.

“Com isso, o cliente pode avaliar o que deve ser alterado para que continue com a mesma performance sem consumir mais”, finaliza Gameiro.

FONTE: Lygia Haydée, de exame.com.

 

 

Comissão de Meio Ambiente aprova incentivos a práticas sustentáveis na construção civil

Poderá ser beneficiada com incentivos fiscais a construção de imóveis prevendo medidas para melhorar o conforto térmico dos usuários e propiciar a redução no consumo de água e maior eficiência energética. Estímulos à sustentabilidade das novas edificações estão previstos no substitutivo ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 252/2015, aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). O projeto será examinado agora em Plenário. Consultado atualmente, o projeto esta aguardando designação do relator.

 

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O texto determina que a utilização de práticas sustentáveis de construção poderá ser incluída como diretriz da política urbana prevista no Estatuto das Cidades (Lei 10.257/2001). Estabelece ainda a divulgação dessas práticas em campanhas junto à população. Segundo a proposta, as novas edificações de propriedade da União devem adotar medidas para a redução dos impactos ambientais, desde que técnica e economicamente viáveis.

O texto original, apresentado pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), sugeria o uso de telhados verdes e de sistemas de aproveitamento da água da chuva. No entanto, o relator na CMA, senador Jorge Viana (PT-AC), preferiu tratar do tema de forma mais abrangente, sem apresentar exemplos de práticas de construção sustentável. Como Jorge Viana não estava presente à reunião desta terça-feira, o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) apresentou o substitutivo como relator ad hoc.

O projeto é uma sugestão de Ana Luiza Cabral Laet, Andrisley Kelly Pereira da Silva, Daniele VerzaMarcon e Verônica Vicente Monteiro, que participaram da edição de 2013 do Programa Senado Jovem Brasileiro.

Na sugestão, as jovens afirmam que a adoção de padrões sustentáveis nas construções contribuirá para reduzir problemas decorrentes das mudanças climáticas.

O Programa Senado Jovem Brasileiro seleciona anualmente, por meio de concurso de redação, 27 estudantes de nível médio de escolas públicas, que participam de uma simulação da atividade parlamentar no Senado.

FONTE: Agencia Senado, 10 de maio de 2016.

 

 

 Projeto de construção sustentável de casas recebe incentivo do Senai – Da tempo de se inscrever ainda

Projeto é um dos selecionados pelo Edital Senai-Sesi de Inovação. Edital financia iniciativas de inovação tecnológica de empresas e startups.

As empresas que pretendem desenvolver novos projetos têm até o dia 07 de novembro para participar do Edital Senai-Sesi de Inovação. Em 12 anos, foram aprovados quase 700 projetos. Um deles é desenvolvido em Curitiba, no Paraná. Uma empresa constrói imóveis com uma tecnologia que torna as obras mais rápidas e sustentáveis.

Curitiba, no Paraná, é a única capital brasileira que faz parte da lista da Unesco das cidades mais bonitas do mundo. Um dos motivos é a relação que o lugar tem com a sustentabilidade. E um projeto inovador, que valoriza o meio ambiente, teve o apoio do Senai para sair do papel.

Em um cenário cheio de verde e arquitetura arrojada também há espaço para prédios destinados à população de baixa renda que não levam nenhum tijolo. As construções são feitas com uma tecnologia que torna a obra mais rápida e sustentável.

“Em vez de ficar empilhando tijolos e mexendo massa, a gente vem para a montagem como continuação da fábrica. A gente faz processo de encaixar peças como se fosse um lego. A gente já traz paredes prontas, com elétrica e hidráulica”, explica o diretor de tecnologia José Marcio Fernandes.

O empresário Caio Bonatto é sócio da empresa que trouxe a tecnologia chamada ‘wood frame’ da Alemanha para o Brasil. Um sistema de construção industrializado já usado para levantar prédios e casas nos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e África do Sul. Mas, alguns ajustes foram feitos no Brasil.

“A gente viu que a tecnologia tinha que se adaptar à cultura do brasileiro e não o brasileiro se adaptar à tecnologia. As paredes são mais robustas, mais grossas, por questão de cultura de brasileiro. O brasileiro gosta da sensação de que é mais sólida”, explica Bonatto.

As paredes são feitas em linha de produção. Com esse processo é possível consumir menos água, gerar menos resíduos e poluir menos o ar. Para produzir em escala a empresa se inscreveu no Edital Senai-Sesi de Inovação, administrado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. Em 2010, o projeto recebeu um aporte de R$ 360 mil.

“A empresa não tem acesso direto ao recurso, mas o SENAI aplica esse recurso no projeto da empresa utilizando sua estrutura laboratorial, seus pesquisadores, utilizando todo esse arcabouço que a gente tem disponível em todo Brasil do SENAI para desenvolver a ideia inovadora”, esclarece Mateus Freitas, gerente de inovação e tecnologia do SENAI.

O Edital Senai-Sesi de Inovação é um fundo que financia projetos de inovação tecnológica de empresas e startups de todo o país. Desde a criação, em 2004, o edital recebeu a inscrição de 5,45 mil projetos e aprovou 686. Até o ano passado, R$ 380 milhões foram investidos em projetos inovadores. Neste ano, serão quase R$ 24 milhões. As empresas recebem entre R$ 150 mil e R$ 400 mil. As inscrições para participar vão até dia 07 de novembro no site.

Este ano, a fábrica em Curitiba pretende entregar 1,5 mil móveis. “Não dá para ter surpresa na obra. Não pode ter um milímetro fora ou um cano fora do lugar. Tudo se encaixa em uma harmonia maior do que na construção tradicional”, diz Fernandes.

FONTE: g1.globo.com, 18 de setembro de 2016.